Boa Tarde.
Hoje, é o meu primeiro dia de blogueiro, mas infelizmente não tenho nada de interessante para postar. Provavelmente, nunca terei coisas que venham a mudar a forma como os seres humanos vêem o mundo que os cerca. Mas posso tentar compartilhar algumas nóias minhas que minha noiva e minha cunhada insistem que eu publique.
Bom, hoje eu vou compartilhar um pensamento que eu tive certa vez quando, minha noiva e eu, administrávamos uma barraquinha de cachorro-quente:
Estávamos nós sem muitos clientes para atender, numa noite muito fria, quando eu interpelei minha noiva com a seguinte questão: "Você já parou para pensar no sofrimento do pão de cachorro-quente?", minha noiva na hora riu, sem saber o que pensar, muito menos o que dizer diante de tal curiosidade.
Comecei a relatar o sofrimento:
"No começo de tudo, não existe pão, são apenas alguns grãos de trigo felizes balançando ao vento e se deliciando com a luz do sol. Existe também uma vaca que está produzindo seu leite para alimentar seu filhote que acaba de nascer. Há ainda a galinha que põe seus ovos na esperança que dali nasçam deus filhos que a muito tempo espera.
Está a galinha em seu lugar quando chega uma pessoa que lhe rouba os ovos, seus fetos que nunca nascerão, pois serão sacrificados em nome de algo maior, algo que estás além de sua limitada compreensão. Algo diferente acontece com a nossa vaca, o leite que está guardando e aquecendo para o seu querido filhote se alimentar, será brutalmente arrancado de suas tetas, através de vigorosos puxões. Mas o mais terrível acontece com o trigo, que não deve nada a ninguém, nunca incomodou ninguém, mas irá passar por uma crueldade sem tamanho.
Tudo começa com uma máquina que corta o caule onde ele está firmemente agarrado, ele passa por uma esteira onde cai numa máquina que o esfrega contra os outros grãos, esfrega tanto que ele acaba se desgarrando do seu caule, sem sua casca protetora e caindo num lugar totalmente desconhecido, mas avistando todos os outros grãos na mesma situação que ele. Depois de tudo, ele é ensacado em armazenado sem fazer a menor idéia do que iré acontecer-lhe.
Quando tudo parece estar se normalizando, os grãos são jogados dentro de um tambor que gira rapidamente e são triturados até virarem pó, num processo em que quase todos os seus nutrientes, que o grão tanto se orgulhara, são perdidos.
Depois de todo esse processo de torturas e separações, todos esses personagens são unidos para formar uma coisa só, uma massa uniforme e levemente salgada. Mas para tudo isso acontecer deve-se passar por aquecimentos, misturações, sovações e finalmente a fermentação.
O aquecimento é o processo mais brando pelo qual o leite deverá passar. A misturação e a sovação são os processos mais dolorosos, pois eles são literalmente socados, amassados, triturados várias vezes até se transformarem numa massa homogênea, levemente salgada.
Terminando essa fase de misturas, essa massa resultante será cortada em pequenas porções que será levadas ao forno, assadas à temperaturas absurdamente quentes. Nessa hora, o grão de trigo, o leite e o ovo já não são mais três personagens, são agora um só, eles se transformaram num pão de cachorro-quente.
Quando saem do forno, são violentamente cortados no meio por mãos habilidosas e treinadas, e são, finalmente, ensacadas individualmente e armazenadas dentro de caixas de papelão escuras.
Todos estão aterrorizados dentro dessa caixa, ninguém sabe para onde os estão levando, nem o que farão com eles já que todo o sofrimento que algum ser vivo tinha que passar eles já passaram.
Quando finalmente aquele invólucro de plástico é rompido, o pão pensa que está livre, finalmente, de sua prisão, seu sofrimento e seus tormentos. Mas, ledo engano, sua ferida será aberta com violência será posta uma fina camada de condimentos, colocada uma salsicha dentro de suas entranhas, ele será entupido de milho, ervilhas, vinagretes, frangos desfiados, calabresas, bacons, purês de batata, por cima dele virão batatas-palhas e mais condimentos. E, finalmente, ele será devorado por uma pessoa faminta que pode ser a mesma que colheu os ovos da galinha, ou a que arrancou o leite da vaca, ou ainda a mesma que manobrou a máquina destruidora de trigos."
Logo após esse relato emocionado, minha noiva e eu, nunca mais olhamos para as banquinha de cachorro-quente da mesma maneira.
Bom, esse foi meu primeiro relato como blogueiro, espero que venham muitos depois desse.
Abraço a todos
sábado, 11 de julho de 2009
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